Quando estudante era rata de biblioteca. Lá na UFRJ tem uma biblioteca muito boa no prédio da FAU. Não sei mais como é hoje, mas na época tinha um escaninho na portaria onde deixávamos as traquitanas que nunca cabiam ali. Estudante de arquitetura carrega muita coisa. Parece sacoleiro da 25 de março. Tem de tudo nas pastas, e tem pasta tamanho A3, A4, tudo junto com maquete.
Entrava direto na biblioteca, o bibliotecário virou amigo. Eu mesma buscava nas prateleiras, consultava, e depois devolvia no lugar. Bibliotecário comigo nunca teve trabalho. Minha mania de organização que carrego comigo como um bom ‘TOC’.
Dura que só vendo, não tinha livros. Nem adiantava professor pedir, no máximo tirava xerox de partes dele. Livro pra quem é estudante é muito caro. Coisa que não entendo até hoje, devia ter um meio de comprar mais barato.
O NEUFERT, aquela bíblia que todo estudante de arquitetura ‘tem’ que ter, eu tinha lá na biblioteca. Caríssimo, nunca comprei. Carregava ele pra casa e depois de uma semana devolvia. Era assim com todos que precisava de uma pesquisa mais demorada.
Terminei a faculdade, passei um mês separando a papelada, montei pastas com cada disciplina, separei em caixas e tenho lá até hoje. No inicio, depois de formada era minha salvação.
Bacana foi quando recebi o primeiro pagamento por projeto e comprei livros. Aqueles livros que consultava na biblioteca e que não podia ter. E minha pequena biblioteca particular foi aumentando. Hoje tenho bastante. Alguns são como objetos de decoração, compras mal-feitas, outros são ótimos e consulto sempre. Alguns emprestei e nunca mais voltaram pra cá, apesar da cobrança. Coisa que nunca aprendi é que livro a gente não empresta. Teimo em falar ‘leva, depois você me devolve’. Bobeira minha, eu sei. Revista, DVD e livro deveria ter uma trava pra não sair de perto do dono, ou então a gente dá de uma vez, porque não voltam não.
Cada vez que compro um livro novo, lembro da época da faculdade quando não tinha grana pra isso. É como se afirmasse a conquista em cada compra. Delícia quando chega minha encomenda. Abro, anoto o nome, a data da compra e olho com carinho pro meu novo livro.
A prateleira do escritório não cabe mais nada. Tenho outra em casa que não tem mais espaço também. Mas a sensação de ter o livro é boa demais. Ainda não vou tratar dessa mania por enquanto.
E como diz meu poeta preferido, Mario Quintana, que merece um post só pra ele: ‘Não tenho paredes, só tenho horizontes’ Não cabem mais prateleiras, ando sem paredes ultimamente.